Discussões sobre a Rio+20 devem incluir posições de lideranças comunitárias, defende Alerj


A Comissão de Representação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) quer incluir as lideranças comunitárias nas discussões da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorrerá na cidade em junho próximo.

A proposta foi feita pela deputada Aspásia Camargo (PV), membro da Comissão Nacional de Organização da Rio+20. No dia 1º de março, a comissão da Alerj receberá os líderes comunitários do Rio em audiência pública, e os resultados do debate serão encaminhados à Comissão Nacional da Rio+20.

“Já que a Rio+20 é economia verde e erradicação da pobreza, e o Brasil está propondo uma economia verde inclusiva, eu acho que é bom a gente começar pelas áreas da cidade que precisam de intervenções mais urgentes e que estão com problemas graves de infraestrutura e urbanização precária”, disse Aspásia à Agência Brasil.

A deputada destacou o fato de as comunidades carentes se mostrarem muito receptivas à ideia de serem feitos planos de desenvolvimento sustentável nessas localidades. “Nós tivemos uma primeira etapa na Rocinha. Já é um esforço enorme de discussão”.

Ela lembrou a existência de muitos movimentos verdes dentro de algumas favelas. Trata-se, segundo a deputada, de movimentos organizados que estão ganhando impulso nas comunidades. Apontou, entretanto, carências, especialmente nas áreas de saneamento básico e coleta de lixo. “E nós queremos que eles saibam que a conferência [da ONU] é para eles. Eles vão ser beneficiados pelas discussões e têm de dizer o que pensam”. Por isso, acrescentou, a ideia de comunidades sustentáveis tem que estar na agenda da Rio+20.

Aspásia defendeu que o governo brasileiro se aprofunde em questões importantes para o futuro da população, como a infraestrutura verde. “Nós temos que trabalhar com a ideia da infraestrutura, que é uma das coisas mais caras em que você tem que investir e que envolve, basicamente, saúde, transporte, construção civil em geral e energia. Isso tem que ser pensado com uma visão verde porque representa um extraordinário impacto de investimentos, quase como o new deal [novo pacto] verde”.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) reforça a proposta new deal verde. O projeto busca direcionar os esforços de recuperação das economias à garantia da sustentabilidade na formação de uma nova configuração econômica e produtiva global.

Aspásia informou que o estado do Rio está trabalhando também na chamada contabilidade verde. “É todo tipo de mensuração dos impactos negativos e das compensações que podem acontecer se houver um sistema financeiro e fiscal que favoreça”. Citou como exemplos a serem inseridos na contabilidade verde os indicadores econômicos e o Produto Interno Bruto (PIB).

Aspásia lembrou ainda que o Rio já tem uma Bolsa de Valores verde, cujo projeto foi lançado em dezembro do ano passado. Trata-se de um mercado de ativos ambientais, cujo objetivo é promover a economia verde no estado. Entre os ativos que serão comercializados na Bolsa Verde, estão créditos de carbono e ações de reflorestamento. O início de operação está previsto para abril deste ano.

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