domingo, julho 09, 2017

Ramon Vane: A Voz e Saudades de um Gênio.



São muitas as histórias de Ramon, e uma vida pela frente para resgatá-las. Por enquanto, a saudade da perda de um grande artista, e alguém cheio de irreverencia entre a arte e a realidade, os tribunais e os palcos, o professor e o louco... Uma coisa Ramon me ensinou, e essa coisa fala como um homem tão pequeno, franzino e frágil pode ter tanta força, identidade, voracidade!

No sul da Bahia, depois da seca histórica, agora chove sem parar.

Imagem de Climatempo.com
O clima no sul da Bahia tem vivido picos de seco e molhado. Primeiro fechamos um ano sem chuvas, surpreendendo até os mais experientes. Já vislumbrando faltar de beber na Terra das Águas, a EMBASA correu com obras para usar a água do Parque Municipal da Boa Esperança, uma decisão polêmica e que merece uma reflexão. Mas o assunto aqui é o nosso clima, que depois de nada de água, agora é um "chove chuva, chove sem parar". O espetáculo da chuva serena sob os raios de luz da Terra do Sol está espetacular, há vibração na mata, mas quando vai estiar? Por enquanto, mais uma semana de sol e chuva.

DEPOIS DE MAIS DE 500 REPORTAGENS, ACORDA MEU POVO DEU UM DESCANSO, VOLTANDO AGORA PARA UM BALANÇO GERAL EM UMA SÉRIE DE REPORTAGENS PARA RECORDAR, RESGATAR E REFLETIR OS PRINCIPAIS PROBLEMAS E PRINCIPAIS VALORES DO SUL DA BAHIA. PRESTIGIE!

sexta-feira, dezembro 02, 2016

A Ponte Pirata

DEMOROU DEMAIS! A OBRA JÁ VAI E NINGUÉM SABE PRA ONDE. QUE INJUSTIÇA MEXER EM ILHÉUS SEM PERGUNTAR AOS SEUS MUNÍCIPES COMO RETOCARÃO NOSSA SAGRADA IMAGEM. FINALMENTE SOUBE DE UMA AUDIÊNCIA PÚBLICA CONVOCADA PELO MP ESTADUAL. SERÁ QUE FINALMENTE CONHECEREMOS O DNA DESSA PONTE, SEU PAI, SEUS MÉTODOS E SUA OBRA? É O QUE SE ESPERA ATRASADAMENTE QUANDO SE RECOMENDOU UMA AUDIÊNCIA PARA DIA 12 DE DEZEMBRO DE 2016.  DAREMOS RETORNO.


   Onde foi parar a democracia, as ações conjuntas, o planejamento participativo, o planejamento estratégico, o plano diretor, as audiências e a transparência pública? No projeto de uma nova ponte e uma nova cara para a cidade histórica de Ilhéus esses conceitos são apenas palavras, nada mais que palavras enterradas em um projeto de rara qualidade autoritária e negligente. 
  Para muitos eu deveria estar elogiando, mas quando se trata de um projeto que impacta diretamente a paisagem, a cenografia da cidade, e é concebido e executado sem nenhuma licença ambiental federal, nem sequer se conhece uma licença estadual, mas muito pior, sem o conhecimento da população, sem nosso dedo, opinião, nem sequer o traçado nós sabemos direito. Não sabemos e olhem que eu pergunto muito, e converso com o povo.
   O que? Como? Que estilo? Que impacto? Que alternativa? Estaiada? Ciclovia bacana? Passeio maravilhoso? Que tamanho? Que cor? Eu não posso elogiar e ninguém pode elogiar projetos que venham para Ilhéus sem ouvir os ilheenses, pois os nossos destinos não podem ser comandados. 
  Todos temos ideias, e eu adoro ideias. Imagino uma nova ponte no formato dos bancos antigos da avenida: Em silhueta! Acho também que deve ser muito delicada, talvez bordada em um mosaico de cores suaves. Talvez uma arte em pintura lhe fizesse diferente, e única, como é Ilhéus. 

quarta-feira, outubro 12, 2016

Nova ponte de Ilhéus: Mobilidade em Cheque


  Vocês já reparam no fluxo de carros na cidade, e onde estão os nós? Pois é, eu observo todo dia, e dá para entender o seguinte. Os motoristas que chegam a Ilhéus optam prioritariamente pela avenidas históricas que conduzem à zona norte, a Princesa Isabel, e assediam a Avenida Esperança para chegarem ao pé da ladeira da ponte Ilhéus-Pontal. O mesmo ocorre no retorno da praia.

   Sendo assim, a nova ponte não tem nada haver com esse fluxo de chegada e saída da cidade. Correto? Ora, então a nova ponte pretende dividir o fluxo de ida e retorno com o mesmo centro, o que vai desafogar o retorno pelo ladrão (contorno proibido para chegar à Princesa Isabel), mas o que o máximo que ela poderá fazer será mesmo dividir o fluxo, isto considerando ainda que motoristas que vem da praia vão optar pela nova ponte, ou seja, enfrentar oi centro da cidade para alcançar a BA 405.
  A primeira coisa que se nota é que para que a nova ponte tem efeito no descongestionamento é preciso abri o caminho pela Princesa Isabel, porque a ida pro centro está entupida até o ralo. Então temos um problema grande de acesso a ponte, e uma importante questão: Qual o trajeto para o fluxo de entrada e saída da nova ponte? Não existe milagre para fazer, é é preciso pegar o mapa e traçar a solução. Com certeza alguma coisa vai tem que mudar. Não temos pista adequada de entrada da BA 405,  e não teremos pista de saída para essa rodovia. O que poderemos ter é uma pista de saída pelo projeto Orla, resolvendo-se de alguma forma, o terrível nó do Porto do Malhado na Cidade Nova para se chegar ao São Miguel. Outra opção? Não existe.
  Talvez o projeto prioritário não seja esse. Talvez não tenhamos a coragem de pensar em uma ponte maior e muito mais cara, desde a entrada da cidade até o sul, planejada até a pista desse aeroporto que precisa ser desativado para o bem da cidade, ante o novo, tão prometido. Talvez não fosse popular gastar esse dinheiro com desapropriação e uma avenida aberta desde a Princesa Isabel, que poderia resolver o problema bem melhor, desde que construído um viaduto para acessar a ponte, que está em altura diferente da referida avenida.


domingo, fevereiro 21, 2016

Incendios no Litoral Norte de Ilhéus não param, e consolidam a destruição de uma floresta raríssima.

Foto de Luciano Sanjuan

   Minha floresta das preguiças, guiamuns, meu jardim dos cajueiros, mata alta de restinga na áreia de onde brota água, formando lagos - japaras. Não há outro lugar igual, seco e molhado, doce e salgado, a floresta ombrófila densa beija o mar. Ela é a floresta mais diversa, a mais rica da própria Floresta Atlântica, e de todo o planeta, e são os últimos testemunhos existentes da floresta no leste oriental do Brasil. Não é conversa mas ciência quando dissemos que milhares de espécies só são conhecidas dessa região, no meio desse caos, nesse cenário de devastação que mostra a falencia de uma estrada ecológica, aliada a projetos de conservação, e as promessas de desenvolvimento sustentável. 

   Mas um passeio de Ilhéus até Serra Grande no dia 19 de fevereiro de 2016, revelou de novo que os grandes incendios que tiveram seu auge em novembro último, pessistem e se agravam. Vi focos de incêndio florestal em praticamente todas as principais matas remanescentes, desde a Vila da Juerana até que a paz volte à partir da Vila do Sargi, já município de Uruçuca. Num certo ponto pensei: só vai sobrar as florestas de médico Guilherme Adames, e para minha surpresa, pela primeira vez tinha um foco de incêndio lá também, certamente, provocado por terceiros, pois trata-se de um dos grandes protetores dessas matas (veja fotos à seguir).

   Precisa ser noticiado que o clima do sul da Bahia está irreconhecível, o céu de caatinga, sem nuvens, uma sensação térmica inexplicavelmente desagradável. Vivemos uma seca sem precedentes, e a terra das chuvas está no centro do El Nino, ou o que seja, que não nos parece normal. A cidade de Ilhéus está quente, e a falta de árvores piora a situação. Mas a pior notícia que o clima trouxe foi a volta do desmatamento destruindo as riquíssimas, e últimas matas íntegras nas áreas protegidas do litoral norte de Ilhéus. 

   O fogo é um inimigo antigo, e tradicionalmente usado nessa região. O fogo rápido, fácil, que queima lixo, limpa terreno, força do hábito, fogo omisso e a cumplicidade. Ano após ano, a mata sumindo, sem plano de conservação, plano diretor, regra e justiça. De mão dadas à seca se transformaram em incendios florestais, rápido poder de destruição sob a pequena mata desnuda.

   Gravíssima é a situação das matas serranas, onde se quer ampliar pastagens, e as matas litorâneas, especuladas para moradia, última florestas da APA - Área de Proteção Ambiental da Lagoa Encantada e do Rio Almada, santuário principal de nossas águas, sítio histórico e cultural e berçario de nossa cultura.  A APA já convive com a confirmação do Palácio do Planalto de um desmatamento próximo a mil campos de futebol para a construção do final da FIOL - Ferrovia Leste-Oeste e operacionalização do Complexo Portuário Porto Sul. E nos foi prometido, minimizar, e compensar esse impacto com a proteção da biodiversidade local. Para onde vamos?


















quinta-feira, janeiro 07, 2016

Alerta Vermelho: Rejeitos da Samarco alcançam Abrolhos?

A notícia do dia é que, 37 dias depois de uma barragem de rejeitos da Mineradora Samarco se romper, os impactos iniciais ainda estão em curso, e, ao contrário das previsões começou a alcançar o mais importante santuário ecológico da plataforma continental brasileira, o Parque Nacional de Abrolhos
.
O maior Banco de Corais da América do Sul é o próximo local a receber o impacto da tsunami de lama que destruiu vidas, histórias, escancarou os problemas da mineração e da capacidade de fiscalização do governo. O Arquipélago de Abrolhos se localiza no Oceano Atlântico, no litoral sul da Bahia, a 250 km da foz do Rio Doce, e segundo o IBAMA, não chegaria aí. Mas a natureza é a natureza, e toda previsão que se pode fazer é trabalhar duro para mudar o rumo de um país que paga sempre um preço alto pelo uso insustentável de seus recursos naturais.



quarta-feira, dezembro 30, 2015

As imagens mais chocantes de 2015 para a Flora Neotropical

  Não sobrou praticamente nada, e do que sobrou dessa floresta litorânea costeira é um tesouro da biodiversidade global. E foi através de imagens do extraordinário democratizador da história da cidade, famílias, paisagens e problemas de Ilhéus, e do sul da Bahia, José Nazal, cujo trabalho tenho grande admiração, que mais me impressionei em 2015. Imagens para uma reflexão sobre o futuro da conservação da biodiversidade em Ilhéus, aclamada no mundo por esta riqueza única, e que só existe aqui. Pois essas imagens estampam as feridas do incêndio que atingiu, nesse mês de novembro e dezembro, grandes áreas do pouco que resta de florestas remanescentes em poucos dias.

  Dada a proporção do que resta de Mata Atlântica que em todo o nordeste (leste oriental do Brasil), e menos de 2% de florestas íntegras no município de Ilhéus, trata-se de uma devastação em larga escala. Precisamos mudar isso urgentemente e recuperar um pensamento, um planejamento territorial para Ilhéus. Precisamos reavivar a lei, educativamente, através do diálogo, e um pacto regulador, sustentado com um planejamento efetivo, in loco, e publicidade da regras do uso e ocupação do solo no município.

  É preciso fazer valer a figura das Reservas Florestais Municipais protegidas em mosaico com as APP´S, e favorecendo linhas de corredor, permeando os bairros, condomínios, shoppings, etc.  Tudo pode conviver com a conservação, e da hora de planejar já passou o tanto que vemos ser degradado, sem que possamos reparar. Portanto eu creio na coletividade, onde cada um, grande ou pequeno, dê sua parcela de compromisso com o verde protegido, e o que é preciso recuperar. Cada rua, cada bairro, distrito, fábrica, condomínio, e o município como um todo deve tornar visíveis ao tato, as áreas verdes, e criar nosso mosaico de corredores de fonte de vida, água, clima, e inúmeras possibilidades de crescer com qualidade.

   Ver as florestas as margens da Lagoa Encantada em chamas é o emblema de uma prática corriqueira de suprimir florestas, e que se transformou em um grande impacto causado por incêndios na primavera desse novembro vermelho, o mais seco de toda a história de Ilhéus.
   



Incêndio na Bacia do Almada são tão graves, quanto os do litoral.

   O sul da Bahia vive seca histórica e uma onda de desmatamento causados pelo fogo. Faltando água em vários municípios, e o fogo queimando a única salvação dessa lavoura. A Área de Proteção Ambiental está em chamas há vários anos, e o problema do abastecimento vem se agravando ano a ano. No ´primeiro documentário que dirigi sobre a APA Lagoa Encantada, em 2002, num parceria com a bióloga Márcia Virginia, guardamos um depoimento extraordinário de Marco Luedy, um militante pela recuperação do rio Almada: "Nós temos dois problemas. O primeiro é de engenharia florestal, reflorestar as nascentes e recompor os nascedouros do rio, manter a água; e um segundo problema que é de engenharia, para armazenar e distribuir essa água. 

   Quem conhece a APA no seu interior sabe, que enquanto queima o litoral para a especulação imobiliária, queimam as florestas e cabrucas no interior para a expansão de pastagens. Se no litoral a fumaça é mais publicitária, certamente, no interior da APA é ainda mais dramática. É a transformação de uma paisagem em curso rápido, e o fim de um grande rio, que adormece sob um modelo falido, e a necessidade de transformação de um povo para melhor administrar seus recursos naturais para que ele possa se recuperar . Cenário crítico e caótico, em que falta água, topos de morro são queimados, uma bacia está crise, e a biodiversidade ameaçada. 

 Nesse momento é preciso reafirmar que impactar com mais desmatamento que anuncia o Porto Sul, requer garantir não apenas o remanescente da Tulha, mas como se comprometeu, criar um grande Parque nas cabeceiras do Almada, e dialogar o fim do avanço do desmatamento, e inicio imediato do reflorestamento do rio Almada.

 As imagens abaixo são de autoria própria e foram realizadas na Bacia do Almada no final do mês de novembro-2015, além de outras fotografias que estão circulando nas redes sociais, retratando o drama de um rio seco e a floresta queimando. 





Almadina 28 de dezembro. Foto: Biólogo Valéio Dias