segunda-feira, dezembro 05, 2016

O Papa e o Aborto: Quem pode perdoar?

   
Foto do Site Aborto Espontâneo
 Eu respeito aquele que senta ao trono de São Pedro, mártir da cruzada pela edificação dos valores universais e eternos. Nesse lugar, o Papa Pio IX pôs no direito canônico que a vida “existe desde o momento em que é concebida”, um princípio fundamental de nossa fé. Agora, o popular Papa Francisco resolveu dar aos padres o direito de perdoar o aborto. Na minha ignorância canônica, não consigo compreender como um homem possa ter o poder de perdoar o que não lhe é tangível, o coração de outro alguém, que ainda não bate.
   Eu creio no poder dos padres, mas não creio no perdão canônico, sem que haja conversão interior, e perfeito arrependimento. Como poderia um padre perdoar um homem/mulher que aborta? Não seria correlato a perdoar um assassino de outro alguém, sem lhe ser a vitima? Não seria mais glorioso que o próprio coração pudesse perdoar, como fez a mãe do goleiro Danilo, que embarcou no asqueroso voo da morte?
  Eu aprendi que tudo no mundo se cura e tudo pode ser resgatado no infinito coração misericordioso de Deus, mas confesso ao Santo Padre que fiquei confuso com sua decisão. Reconheço que, nesse mundo, aborto é  reflexão íntima, individual, mas para os católicos, a vida é um fruto do amor de Deus, e extrapola o dogma. Se não existir culpa, também não existirá o pecado, mas se existe fé, procure por Deus verdadeiro, pois é ele o senhor de sua consciência. Do contrário, a ordem do padre não poderá esconder o pecado do coração. Mas enquanto houver tempo, o caminho da Igreja é a porta aberta do coração para o perdão de todos nós. Como leigo não sei o que falo, mas sei que não sou conservador, nem puritano, e nem tão pouco concordo com as feministas de plantão (Leia Aqui), pois eu acredito em uma única perfeita solução, que é a educação. 

sexta-feira, dezembro 02, 2016

A Ponte Pirata

DEMOROU DEMAIS! PODIA TER SIDO ANTES, MAS APESAR DE MUITO TARDE, SEMPRE É CEDO PARA EXIGIR JUSTIÇA. E CEDO OU TARDE, PARA ALGUMA COISA OU PARA NADA, JUSTIÇA SERÁ FEITA NA AUDIÊNCIA PÚBLICA CONVOCADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL PARA QUE OS ILHEENSES TENHAM A OPORTUNIDADE DE PEGAR ESSE BONDE ATRASADO E VER PARA ONDE ELE ESTÁ NOS LEVANDO. A CÂMARA REUNIU ESSA SEMANA E O MP RECOMENDOU UMA AUDIÊNCIA PARA DIA 12 DE DEZEMBRO.  


Desde que me interessei pelo serviço e bem público, que eu não sentia tão de perto o autoritarismo na prática, que despreza o cidadão, e joga por terra todos os chavões que acreditamos: Democracia? Ações conjuntas? Planejamento participativo? Estratégico? Audiências? Transparência pública? Muitos não sofrem com isso, mas eu nunca fui tão humilhado como cidadão, ao ver esse projeto cair de para-queda em Ilhéus como se aqui não existisse mentes.
  É impressionante sua condição. Um projeto que impacta diretamente a paisagem e a cenografia histórica de Ilhéus, concebido e executado sem nenhuma apresentação, sendo aceito por todos, sem reclamação. Até então nem o nome do arquiteto, sem que se saiba de onde vem e para onde vai, sem que saibamos nada.
   Estou doente com isso. Não é possível que nós ilheenses possamos dormir sem se preocupar com essa ponte cheia de interrogações. É Ilhéus de nossos antepassados, é Ilhéus quinhentista, e não somos uma terra de cegos!
  Para que? O que? Que estilo? Que impacto aos nossos olhos? Teria outra alternativa? Estaiada é a melhor opção? Vai ter uma ciclovia bacana? Vai ter um excelente passeio com mobilidade para as pessoas andarem, ou será algo vacilante como o passeio da velha ponte ? 
  Que maneira de administrarmos o destino é essa meu povo? Quem são esses governantes capazes de pensar Ilhéus, sem a participação dos Ilheenses?  É vergonhoso, pois o destino, certo ou errado, escapuliu de nossas mãos, e nos deixou de fora, como um povo sem identidade - dominado. 
   Gostaria de ser ouvido antes. Todos temos ideias. Imagino a nova ponte no formato dos bancos antigos da avenida: Em silhueta! Acho que deveria ser muito delicada, talvez, bordada em um mosaico de cores suaves. Imaginaria uma ponte tropicana, nordestina, única, como é Ilhéus. Mas fizeram tudo em acerto de patrão, sem reunião, sem democracia, sem participação, ainda acreditando que tudo que vem de cima é luz. Agora é esperar o filho nascer para conhecer sua cara, e seu envolvimento em nossa história.

terça-feira, novembro 15, 2016

O Bicho de porco, o médico e o delegado na república das bananas.

  Hoje eu me dei conta que peguei quatro "bichos de porco" nos pés. Eu conheço esse parasita, e já tirei alguns na vida. Poxa, mas quatro!? Perguntei a cozinheira amiga da delicatessen o que fazer, e ela me respondeu: Fure e bote querozene! Mas na dúvida resolvi buscar um profissional para a extração e curetagem adequados. 
  Primeiro fui na COCI, que estava tranquila mas a atendente disse: Só o cirurgião, mas hoje não tem, então o senhor vá ao HOSPITAL REGIONAL. Lá encontrei o que todos sabem. Na sala com o nome "ACOLHIMENTO" ouvi a sentença: Aqui é facada, tiro... entendeu? Em seguida a assistente social disse que não me receberia, nem os dois cirurgiões de plantão, pois, "não é aqui, e sim no POSTO DE SAÚDE". Então exigi que me declarassem por escrito o motivo alegado para não tirar os bichos. 
  Aí esqueci de mim e fui atrás dos meus direitos republicanos. Resolvi ir na delegacia saber se um cidadão pode dar queixa por negação de atendimento, e se eu tinha direito a uma justificativa palpável, investigável, e não resposta de pé do ouvido. Logo o agente virou médico e queria saber o que eu tinha, e eu lhe respondi que não fui ali para avaliação de saúde. Fui levado ao delegado, que também agindo como "médico" disse que meu caso não era emergência, e não poderia registrar queixa. Perguntei a ele onde eu poderia ir? Ele disse: PROCON, Defensoria Pública... 
    Com esse nome bonito na cabeça (DEFENSORIA PÚBLICA) voltei à COCI, pois queria saber da atendente porque ela me mandou pro Regional, e me disse que só um cirurgião atenderia, enquanto lá me disseram que era caso de POSTO DE SAÚDE. Aí fui encaminhado para a médica plantonista que tinha uma resposta pronta: "É no posto médico, desde que um clínico avalie". A senhora é clinica?, lhe perguntei. Ela respondeu que sim e retruquei: por que não me atende? Foi a primeira resposta com prazer na caminhada: Porque eu não material de soltura! Era o fim: Uma médica nova, concursada e já lavando as mãos. Lamentei educadamente a postura dela.
    Não me dando por satisfeito, pois sempre deve haver esperança para o cidadão, porquê não apostar no POSTO DE SAÚDE DA URBIS (!?). Fui com fé republicana  mas dei com a cara na porta. É feriado! A porca tá de folga e o sistema infame, desajustado.
   A conclusão é que isto é uma merda de república, embananada numa merda de herança maldita, que está impressa no DNA dessa sociedade. Nessa teia social, desde sempre, o delegado e o médico, protegidos pelo político, juiz e dono de terra metem o pau no povo, e tudo fica por isso mesmo. Ou seja, o Brasil só quer cuidar de vacas e vagabundos!

CONTINUAÇÃO:

Fui no CESP, no São José, e toda a história se repete. Tinha 10 bicho de porco, e no final minha salvação veio da roça, de uma senhora, excelente cirurgiã do povo, e viva Deus nas alturas!

quarta-feira, outubro 12, 2016

Nova ponte de Ilhéus: Mobilidade em Cheque


  Vocês já reparam no fluxo de carros na cidade, e onde estão os nós? Pois é, eu observo todo dia, e dá para entender o seguinte. Os motoristas que chegam a Ilhéus optam prioritariamente pela avenidas históricas que conduzem à zona norte, a Princesa Isabel, e assediam a Avenida Esperança para chegarem ao pé da ladeira da ponte Ilhéus-Pontal. O mesmo ocorre no retorno da praia.

   Sendo assim, a nova ponte não tem nada haver com esse fluxo de chegada e saída da cidade. Correto? Ora, então a nova ponte pretende dividir o fluxo de ida e retorno com o mesmo centro, o que vai desafogar o retorno pelo ladrão (contorno proibido para chegar à Princesa Isabel), mas o que o máximo que ela poderá fazer será mesmo dividir o fluxo, isto considerando ainda que motoristas que vem da praia vão optar pela nova ponte, ou seja, enfrentar oi centro da cidade para alcançar a BA 405.
  A primeira coisa que se nota é que para que a nova ponte tem efeito no descongestionamento é preciso abri o caminho pela Princesa Isabel, porque a ida pro centro está entupida até o ralo. Então temos um problema grande de acesso a ponte, e uma importante questão: Qual o trajeto para o fluxo de entrada e saída da nova ponte? Não existe milagre para fazer, é é preciso pegar o mapa e traçar a solução. Com certeza alguma coisa vai tem que mudar. Não temos pista adequada de entrada da BA 405,  e não teremos pista de saída para essa rodovia. O que poderemos ter é uma pista de saída pelo projeto Orla, resolvendo-se de alguma forma, o terrível nó do Porto do Malhado na Cidade Nova para se chegar ao São Miguel. Outra opção? Não existe.
  Talvez o projeto prioritário não seja esse. Talvez não tenhamos a coragem de pensar em uma ponte maior e muito mais cara, desde a entrada da cidade até o sul, planejada até a pista desse aeroporto que precisa ser desativado para o bem da cidade, ante o novo, tão prometido. Talvez não fosse popular gastar esse dinheiro com desapropriação e uma avenida aberta desde a Princesa Isabel, que poderia resolver o problema bem melhor, desde que construído um viaduto para acessar a ponte, que está em altura diferente da referida avenida.


domingo, fevereiro 21, 2016

Incendios no Litoral Norte de Ilhéus não param, e consolidam a destruição de uma floresta raríssima.

Foto de Luciano Sanjuan

   Minha floresta das preguiças, guiamuns, meu jardim dos cajueiros, mata alta de restinga na áreia de onde brota água, formando lagos - japaras. Não há outro lugar igual, seco e molhado, doce e salgado, a floresta ombrófila densa beija o mar. Ela é a floresta mais diversa, a mais rica da própria Floresta Atlântica, e de todo o planeta, e são os últimos testemunhos existentes da floresta no leste oriental do Brasil. Não é conversa mas ciência quando dissemos que milhares de espécies só são conhecidas dessa região, no meio desse caos, nesse cenário de devastação que mostra a falencia de uma estrada ecológica, aliada a projetos de conservação, e as promessas de desenvolvimento sustentável. 

   Mas um passeio de Ilhéus até Serra Grande no dia 19 de fevereiro de 2016, revelou de novo que os grandes incendios que tiveram seu auge em novembro último, pessistem e se agravam. Vi focos de incêndio florestal em praticamente todas as principais matas remanescentes, desde a Vila da Juerana até que a paz volte à partir da Vila do Sargi, já município de Uruçuca. Num certo ponto pensei: só vai sobrar as florestas de médico Guilherme Adames, e para minha surpresa, pela primeira vez tinha um foco de incêndio lá também, certamente, provocado por terceiros, pois trata-se de um dos grandes protetores dessas matas (veja fotos à seguir).

   Precisa ser noticiado que o clima do sul da Bahia está irreconhecível, o céu de caatinga, sem nuvens, uma sensação térmica inexplicavelmente desagradável. Vivemos uma seca sem precedentes, e a terra das chuvas está no centro do El Nino, ou o que seja, que não nos parece normal. A cidade de Ilhéus está quente, e a falta de árvores piora a situação. Mas a pior notícia que o clima trouxe foi a volta do desmatamento destruindo as riquíssimas, e últimas matas íntegras nas áreas protegidas do litoral norte de Ilhéus. 

   O fogo é um inimigo antigo, e tradicionalmente usado nessa região. O fogo rápido, fácil, que queima lixo, limpa terreno, força do hábito, fogo omisso e a cumplicidade. Ano após ano, a mata sumindo, sem plano de conservação, plano diretor, regra e justiça. De mão dadas à seca se transformaram em incendios florestais, rápido poder de destruição sob a pequena mata desnuda.

   Gravíssima é a situação das matas serranas, onde se quer ampliar pastagens, e as matas litorâneas, especuladas para moradia, última florestas da APA - Área de Proteção Ambiental da Lagoa Encantada e do Rio Almada, santuário principal de nossas águas, sítio histórico e cultural e berçario de nossa cultura.  A APA já convive com a confirmação do Palácio do Planalto de um desmatamento próximo a mil campos de futebol para a construção do final da FIOL - Ferrovia Leste-Oeste e operacionalização do Complexo Portuário Porto Sul. E nos foi prometido, minimizar, e compensar esse impacto com a proteção da biodiversidade local. Para onde vamos?


















quinta-feira, janeiro 07, 2016

Alerta Vermelho: Rejeitos da Samarco alcançam Abrolhos?

A notícia do dia é que, 37 dias depois de uma barragem de rejeitos da Mineradora Samarco se romper, os impactos iniciais ainda estão em curso, e, ao contrário das previsões começou a alcançar o mais importante santuário ecológico da plataforma continental brasileira, o Parque Nacional de Abrolhos
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O maior Banco de Corais da América do Sul é o próximo local a receber o impacto da tsunami de lama que destruiu vidas, histórias, escancarou os problemas da mineração e da capacidade de fiscalização do governo. O Arquipélago de Abrolhos se localiza no Oceano Atlântico, no litoral sul da Bahia, a 250 km da foz do Rio Doce, e segundo o IBAMA, não chegaria aí. Mas a natureza é a natureza, e toda previsão que se pode fazer é trabalhar duro para mudar o rumo de um país que paga sempre um preço alto pelo uso insustentável de seus recursos naturais.