O Debate das Ferrovias



O atraso do trem aumenta o Custo Brasil e impede o país de se desenvolver. As ferrovias são mais rápidas, mais baratas, e trazem vantagens econômicas e ambientais em relação as rodovias. Enquanto reduzem o transporte rodoviário, baixam a emissão de poluentes, os gastos com manutenção de rodovias, os assaltos, e, sobretudo, perdas materiais e humanas em acidentes.

O Brasil tem 28.857 km de ferrovias, enquanto que os Estados Unidos tem 226.427 km, a China 77.874 Km , a Argentina 31.409 Km, e o Japão 23.506 Km, números que por si só expressam a nossa imobilidade. O Brasil precisa e quer investir no setor. Além da Ferrovia Oeste-Leste com um traçado à partir do litoral de Ilhéus ao extremo oeste do país, estão nos planos do governo, a Ferrovia Norte-Sul, cortando o Brasil do Pará ao Rio Grande do Sul, uma ferrovia atravessando o estado de Mato Grosso no sentido Leste-Oeste. uma nova Ferrovia interligando Curitiba a Paranaguá, transpondo a Serra do Mar, dentre outras.

Mas é preciso definir prioridades, cronogramas, e principalmente as finalidades do crescimento de nossa malha ferroviária. A viagem da presidenta Dilma Rousseff a China, maior parceiro comercial do Brasil nos dá uma pista importante. Acompanhada de 300 empresários, carregou consigo a preocupação de uma relação comercial, onde 98% do que exportamos é matéria prima bruta de menor valor (minério e soja), enquanto importamos mais de 90% de produtos manufaturados.


Interessa muito o que carregam os vagões. No sudeste, o governo conseguiu aprovar o nosso primeiro Trem de Alta Velocidade (280 Km por hora), com muitas críticas. É o olho no futuro, onde os trens podem transportar o que se tem de mais valioso - passageiros. Além do Trem Bala, o governo pretende implantar outras 16 linhas de transporte de passageiros em média velocidade (200 km por hora ) - hoje só existem duas linhas: Vitória (ES) - Belo Horizonte (MG), e São Luís (MA) - Parauapebas (PA), que circulam a 50 km por hora e dão prejuízo.

No caso do Trem de Alta Velocidade se discute o seu custo, afinal ele é muito caro, 34 bilhões de reais, uma valor, que, segundo especialistas, já está subestimado. É importante ressaltar, que parte desses recursos (20 bilhões) serão retirados do BNDS, do contribuinte. Nesse embate de prioridades, de um lado, os que defendem que “O Brasil precisa, e merece”, como Bernardo Figueiredo, diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), e do outro, os que acreditam que, “Hoje, projeto não é prioritário”, como Mansueto Almeida, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

No debate final do senado, que aprovou o projeto, muitas críticas. O senador Aércio Neves (PSDB-MG) caracterizou a aprovação como uma decisão “completamente impensável em qualquer país que prima pela racionalidade”, e destaca que existem outras prioridades “mais importantes para diminuir o Custo Brasil”, como a Ferrovia do Aço (ligação Rio - Belo Horizonte - São Paulo - Vitória, só uma parte em operação) e o Ferroanel de São Paulo. Já o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) destacou que o custo do Trem Bala é maior do que foi investido em educação ou assistência social em uma década, e representa a metade dos 80 bilhões de reais que serão gastos no Plano Nacional de Educação (PNE), que vai direcionar a educação do Brasil na próxima década.

No Sul da Bahia, vivemos uma situação inversa ao Trem Bala que aponta para o futuro. O governo deseja que a "hiléia sul baiana", terra do cacau, e com um extraordinário potencial para o turismo internacional e uma diversificada economia agroecológica, receba uma ferrovia e um porto, pessimamente localizados (se for mantido o traçado atual), no principal cartão postal da região - uma área de proteção ambiental legalmente reconhecida em todos os níveis.

A espoleta para a execução da obra é um autêntico “negócio da China” para atender a iniciativa privada no transporte e exportação de minério de ferro por um novo porto, também privado. Um negócio de alto risco para o meio ambiente e para Ilhéus, cidade que já teve sua geografia alterada com a construção do Porto Internacional do Malhado na década de 60 com tecnologia ultrapassada, mesmo para aquela época, provocando graves impactos ambientais até os dias atuais.

É verdade que quando falamos em desenvolvimento, temos que fazer escolhas, mas devemos primar pelas melhores escolhas, fruto de debates consistentes e abertos. O sudeste com seu Trem de Alta Velocidade olha para o futuro, enquanto que Ilhéus pode reviver mais uma vez o drama nordestino de ficar sempre por último, negando valores em nome de um modelo de crescimento que queremos deixar no passado.

Todos esses fatores estão em questão quando discutimos ferrovias, e para que os nossos vagões se encham de riquezas, e no futuro possamos vir a ter um Trem de Alta Velocidade cruzando todo o Brasil, vamos ter que investir muito mais em educação, ciência e tecnologia, abrindo antes, as janelas da inteligência, para que nossos portos simbolizem o progresso real do povo e da sociedade brasileira.

É verdade que devemos reconhecer a vocação aeroportuária e ferroviária do Sul da Bahia, mas queremos que a ferrovia não atropele nossos potenciais, para que possamos, muito além dos caminhos do ferro, encontrar o verdadeiro desenvolvimento sustentável, a partir de nossa capacidade humana.

Se você tem o Google Earth instalado no seu computador, clique aqui (Link da VALEC) para conhecer o traçado das ferrovias brasileiras. .

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